terça-feira, 3 de novembro de 2009

Feminilidade

Sentia o mundo palpitar docemente em seu peito, doía-lhe o corpo como se nele suportasse a feminilidade de todas as mulheres.

Perto do Coração Selvagem

Pureza

Erguia-se para uma nova manhã, docemente viva. E sua felicidade era pura como o reflexo do sol na água.

Perto do Coração Selvagem

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Erva frágil...

E amava aquele homem como se ela mesma fosse uma erva frágil e o vento a dobrasse, a fustigasse.

Perto do Coração Selvagem

{...}

A palavra estala entre meus dentes em estilhaços frágeis.

Perto do Coração Selvagem

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Tragédia

A tragédia de viver existe sim e nós a sentimos. Mas isso não impede que tenhamos uma profunda aproximação da alegria com essa mesma vida.

Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Instante

Passara o instante de vislumbramento. Instante imobilizado como por uma máquina fotográfica que tivesse captado alguma coisa que jamais as palavras dirão.

Onde Estivestes de Noite

domingo, 18 de outubro de 2009

{...}

Todo cavalo é selvagem e arisco quando mãos inseguras o tocam.

Onde Estiveste de Noite

sábado, 17 de outubro de 2009

Asas de um anjo...

Na queda ridícula as asas de um anjo quebrei. Não abaixo a cabeça rosnante: quero ao menos sofrer tua vitória com o sofrimento angélico de tua harmonia, de tua alegria. Mas dói-me o coração grosseiro como de amor por um homem.

Onde Estiveste de Noite

Sentir e Existir

Não estou sentindo nada. Mas é o contrário de um torpor. É um modo mais leve e mais silencioso de existir.

Onde Estiveste de Noite

Demônio

{...}Quando de noite ele me chamar para a atração do inferno, irei. Desço como um gato pelos telhados. Ninguém sabe, ninguém vê. Só os cães ladram pressentindo o sobrenatural.


Onde Estiveste de Noite

domingo, 13 de setembro de 2009

{...}

E acima da liberdade, acima de certo vazio crio ondas musicais calmíssimas e repetidas. A loucura do invento livre.

Água Viva

Criação

Criar de si próprio um ser é muito grave. Estou me criando. E andar na escuridão completa à procura de nós mesmos é o que fazemos.

Água Viva

Morrer com Vida

Quero morrer com vida. Juro que só morrerei lucrando o último instante. Há uma prece profunda em mim que vai nascer não sei quando. Queria tanto morrer de saúde. Como quem explode. Éclater é melhor: j'éclater. Por enquanto há diálogo contigo. Depois será monólogo. Depois o silêncio. Sei que haverá uma ordem.

Água Viva

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Liberdade

O que é um cavalo? É liberdade tão indomável que se torna inútil aprisioná-lo para que sirva ao homem: deixa-se domesticar mas com um simples movimento de safanão rebelde de cabeça - sacudindo a crina como a uma solta cabeleira - mostra que sua íntima natureza é simples bravia e límpida e livre.


Onde Estivestes de Noite

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Alma livre

Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar.

Onde Estivestes de Noite

domingo, 5 de julho de 2009

O que há de melhor

A forma do cavalo representa o que há de melhor no ser humano. Tenho um cavalo dentro de mim que raramente se exprime. Mas quando vejo outro cavalo então o meu ser expressa. Sua forma fala.

Onde Estivestes de Noite

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Diante da Morte

A mulher, que sou eu, só quer alegria. Mas eu me curvo diante da morte. Que virá, virá, virá, virá. Quando? Aí é que está, pode vir a qualquer momento.

Onde Estivestes de Noite

domingo, 28 de junho de 2009

Hálito de Alegria

Onde expira um pensamento está uma ideia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é pra lá que eu vou.

Onde Estivestes de Noite

domingo, 21 de junho de 2009

Inquietude

Mas estou também inquieta. Eu estava organizada para me consolar da angústia e da dor. Mas como é que me arrumo com essa simples e tranquila alegria. É que não estou habituada a não precisar de meu próprio consolo.

Onde Estivestes de Noite

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Escuridão

Mas o que eu queria era trazer à tona de mim a própria e rica escuridão, que seria como petróleo jorrando escuro e espesso e rico.

Um Sopro de Vida

terça-feira, 2 de junho de 2009

Escuridão de alma

Vivo em escuridão de alma, e o coração pulsando, sôfrego pelas futuras batidas que não podem parar. Mas uma ou outra frase se salva das trevas e sobe leve e volátil à minha superfície, então anoto aqui.

Um Sopro de Vida

segunda-feira, 25 de maio de 2009

{...}

Quando estou muito alegre de repente penso que se morre.

Um Sopro de Vida

domingo, 24 de maio de 2009

Não viver

Abro bem os olhos, e não adianta: apenas vejo. Mas o segredo, este não vejo nem sinto. A eletrola está quebrada e não viver com música é trair a condição humana que é cercada de música. Aliás, música é uma abstrada do pensamento.

Onde Estivestes de Noite

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Estrela

Hoje é dia de muita estrela no céu, pelo menos assim promete esta tarde triste que uma palavra humana salvaria.


Onde Estivestes de Noite

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Alegria Apocalíptica

Eu sinto uma beleza quase insuportável e indescritível. Como um ar estrelado, como a forma informe, como o não-ser existindo, como a respiração esplêndida de um animal. Enquanto eu viver terei de vez em quando a quase-não-sensação do que não se pode nomear. Entre oculto e quase revelado. É também um desespero faiscante e a dor se confunde com a beleza e se mistura a uma alegria apocalíptica.

Um Sopro de Vida